sábado, 28 de julho de 2012

Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Ao final de Cavaleiro de Trevas, a ideia do filme ter uma inevitável continuação não me agradava. Mas isso ocorreu porque eu, assim como a maioria das pessoas, achávamos que a vindoura continuação seria feita nos moldes de outros terceiros filmes de (super) heróis. E Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge não é assim, não no todo.

O filme começa oito anos após a noite em que Batman assumiu a culpa pelos assassinatos cometidos por Harvey Dent (Aaron Eckhart), que é visto pela população como um mártir e que cuja morte inspirou a criação do Ato Dent, que tornou mais rígida a legislação para punição dos criminosos em Gotham. Gordon (Gary Oldman), propagador da mentira em que os dias de paz se construíram, se consome por dentro e parece disposto a revelar a verdade.
Enquanto isso, Bruce Wayne (Christian Bale) também se consome por dentro. E por fora. Vivendo isolado dentro da mansão reconstruída, que se parece como nunca com um mausoléu, permite que o mundo que o cerca se destrua, já que por conta da morte da Rachel, não há mais nada lá fora para ele. Até que dois elementos entram na história e mudam o curso dos acontecimentos: Selina Kyle (Anne Hathaway), uma ladra astuta que quer a todo custo recomeçar do zero, e Robin John Blake (Joseph Gordon Levitt), que parece confrontar Wayne de um jeito que o público gostaria.

Ao mesmo tempo que Bruce prepara o seu retorno, um exército se prepara sob os pés da população de Gotham. Liderado por Bane (Tom Hardy), mercenário já com um certo status de lenda, que se prepara para uma nova tentativa da Liga das Sombras de destruir Gotham, utilizando ao mesmo tempo todos os métodos citados no Batman Begins: a economia, a destruição física, o isolamento do restante do país e um outro, que acaba sendo sem querer  uma "cortesia" do Gordon: a verdade sobre o que aconteceu com Harvey Dent, desmantelando as bases frágeis em que a paz foi construída na cidade. Ah, e antes disso, ainda dá tempo dele se precaver e evitar que Batman atrapalhe seus planos, e  literalmente o quebra na cena de luta mais brutal dos três filmes.

No meio disso tudo, ainda há o momento mais difícil da relação entre Bruce e Alfred que lembro de ter visto em qualquer mídia, em que Alfred  simplesmente não suporta mais ver o seu filho adotivo se sacrificar e temendo um iminente desfecho trágico para quem ele acompanhou desde o começo de sua vida. Desfecho esse que de certo modo ocorre e é de cortar o coração ver o Michael Caine em cena, ainda que depois fique claro que não é o definitivo.


É interessante ver como ao longo do filme vários personagens se constroem em cima de características do próprio Bruce Wayne/Batman: enquanto Batman tem recursos e todo um aparato tecnológico a seu dispor, Bane faz uso de coisas quase rudimentares, reflexo da sua necessidade de sobrevivência ao longo dos anos. Ele também menospreza completamente a vida humana, ao contrário do Batman. Mas, talvez por terem passado por treinamento semelhante, têm pontos em comum: ambos usam máscaras, para finalidades diferentes e que optam por esconder partes distintas do rosto, além da distorção da voz.

Selina tem uma necessidade absurda de recomeçar, algo que de certo modo compartilha com Bruce, além de acreditar que seus atos podem interferir no modo como a sociedade se estabelece, um dos pontos estabelecidos por Bruce para o surgimento do Batman. Blake, além de compartilhar da mesma dor e raiva de Bruce, por serem órfãos, funciona no fim do filme também como a esperança que Batman deve inspirar. Aliás, Blake e Selina são uma espécie de produto do hiato de oito anos: ele, por ter percebido quem o Batman era de fato, tentou fazer algo semelhante com as possibilidades que tinha ao seu alcance, e Selina, que parece viver no limite que separa a "verdadeira" face de Gotham e a superfície frágil e próspera criada a partir do final de Cavaleiro das Trevas.
O próprio Bruce se reconstrói, fisicamente e até pela própria concepção que tinha dos seus medos, para poder, assim como seu pai disse, aprender a levantar. E pelo fato de ter que precisar de ajuda ao retornar para Gotham, coisa que ele literalmente gritou que não precisava em Cavaleiro das Trevas.

Mas a mais surpreendente é feita com Miranda Talia (Marion Cotillard), apesar de, no "presente" não ser tão desenvolvida assim. Bruce/Batman é, no ponto de vista dela, o que Joe Chill foi para o Bruce e Bane não é a criatura monstruosa e fria que o restante dos personagens enxergam. Talvez todo o sangue frio e fingimento dela sejam resultado das dificuldades passadas na prisão e até influência da Liga das Sombras, mas é como se, ainda que de leve, o maniqueísmo que existe na relação vilão/super herói fosse desfeito. Tudo depende do contexto em que somos inseridos. Isso já havia sido desenvolvido em Cavaleiro das Trevas, já que lá todos os personagens, com a exceção óbvia do Coringa, cometem atos que não são tão nobres, mas com uma finalidade justificável. Aqui, isso fica mais escancarado, já que por mais que a conclusão do filme leve a redenção do Batman perante a cidade, ainda assim, há um ponto de vista em que o personagem não é tão heróico assim.

É claro que o filme tem problemas: assim como em outros filmes do Nolan, muita coisa tem que ser esclarecida nas falas dos personagens, há cenas que são muito rápidas, alguns elementos da história não parecem tão necessários assim e talvez por isso, há momentos em que o filme perde um pouco o ritmo e a gente se pergunta onde foram parar certos personagens, e alguns flashbacks dos dois filmes anteriores pareceram desnecessários no meu ponto de vista. Mas apesar disso tudo, as 2h45 não parecem que passaram.
É notório e até corajoso ver como o Nolan utiliza elementos tão americanos no filme. Apesar de ter se falado muito de influência do Occupy Wall Street, dá para ver que isso vem de um pouco antes, da crise de 2008, que estourou no mês seguinte a estreia do filme anterior. A quebra da Wayne Enterprises e o  ataque a uma Bolsa de Valores, feito por pessoas que literalmente vivem abaixo da sociedade, mostram um pouco disso. Além disso, ver bandeiras em farrapos e o Bane elogiar a voz do menino que canta o hino dos EUA todo antes de começar a mandar partes da cidade pelos ares só contribuem para esse tipo de constatação.
A conclusão de Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge deve ser uma das mais corajosas feitas em um filme do gênero porque desvincula Batman de Bruce Wayne, o homem do símbolo, deixando a representatividade do herói ligada aos atos, não ao ser humano, coisa que não me lembro de ter sido feita em nenhum filme desse tipo até hoje. Além disso, é um tipo de "desprendimento" que vem acontecendo em alguma medida nos quadrinhos e encerra uma história, ao mesmo tempo que, se for o caso, permite que possa continuar daquele ponto.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Cem curiosidades sobre Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Listei 100 coisas a respeito de Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge, desde as filmagens, até alguns pequenos detalhes sobre o filme. Pode ter alguns spoilers pequenos:

1. Christopher Nolan é o primeiro diretor a fazer 3 filmes do Batman.

2. Christian Bale é o primeiro ator a interpretar Batman três vezes.

3. É orçado em 250 milhões de dólares, 65 milhões a mais que Cavaleiro das Trevas.

4. Se passa oito anos após o fim de Cavaleiro das Trevas e nove anos depois do fim de Batman Begins.

5. Tem 2h45min de duração, quinze minutos a mais que Cavaleiro das Trevas e 25 a mais que Batman Begins.

6. Alguns cinemas começaram a vender os ingressos para a pré estreia de meia noite do dia 20 de julho nos EUA em dezembro. Em janeiro, já estavam esgotados.

7. O filme tem dois nomes fakes: Magnus Rex e Fox Hills Green.

8. David Goyer disse que a cena final de Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge foi pensada antes mesmo do filme em si, ainda em 2008.

9. Segundo Nolan, a primeira versão do roteiro tinha mais de 400 páginas.

10. Enquanto o "tema" de Batman Begins é medo, de Cavaleiro das Trevas é caos, o desse filme é a dor.

11. Nolan citou Metrópolis e Dr. Jivago como influências para o filme.

12. Tem semelhanças com outro filme que fecha uma fase do Batman, Batman & Robin: a aparição do Bane e as evidências de que há uma grande preocupação do Alfred em relação ao Bruce em ambos os filmes.

13. Antes dos filmes do Batman, Nolan tinha um roteiro pronto de um filme sobre Howard Hughes, que não foi para frente porque O Aviador estava sendo feito no mesmo período. Segundo Nolan, ele incorporou elementos desse projeto no período "depressivo" de Bruce Wayne em The Dark Knight Rises.

14. A única trilogia que Nolan cita como referência para a sua é Senhor dos Anéis.

15. Ao contrário das tendências nos filmes de Hollywood hoje, Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge não terá versão em 3D e foi rodado em película.

16. Na primeira exibição do prólogo, Nolan disse que cerca de cinquenta minutos do filme seriam com cenas rodadas em IMAX, mais minutos que Cavaleiro das Trevas. Mais tarde, uma matéria do New York Times afirmou que são 72 minutos.

17. Christian Bale disse que levou sete horas para ler o roteiro pela primeira vez, sob supervisão do Nolan.

18. Gary Oldman disse que o final do filme não estava escrito na versão do roteiro que muitos atores receberam e que ele teve que ir até o escritório de Nolan para saber.

19. Depois da reconstrução a Mansão Wayne e a caverna retornam. Dessa vez, o arsenal do Batman fica armazenado em cabines transparentes, submerso na água dentro da caverna.

20. Segundo uma matéria da Entertainment Weekly, depois do hiato de oito anos, Bruce Wayne precisa reestabelecer sua relação não só com Alfred, mas com Lucius Fox também.

21. É o primeiro filme do Batman em que não há troca de uniforme de um filme para o outro.

22. É o primeiro filme do Batman desde o da série dos anos 60 em que Batman aparece sob a luz do dia.

23. Assim como ocorreu com Cavaleiro das Trevas, os minutos iniciais do filme foram exibidos em cinemas IMAX em dezembro do ano anterior ao lançamento. Em ambas ocasiões, os minutos iniciais introduzem o vilão do filme, além de terem um clipe com cenas de outros personagens. 

24. Por ser parte de uma trilogia, vários atores do elenco Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge já haviam contracenado em outros filmes. Além disso, Tom Hardy, Joseph Gordon Levitt e Marion Cottilard, de A Origem, também estão no elenco. Entre outros filmes em que atores do elenco contracenam são Garotas Sem Rumo (Anne Hathaway e Joseph Gordon Levitt), O Espião que sabia Demais (Tom Hardy e Gary Oldman), Inimigos Públicos (Marion Cottilard e Christian Bale). 

25. Anne Hathaway e Marion Cottilard já estiveram em filmes de diretores que dirigiram filmes do Batman. Além de Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge, Anne é a Rainha Branca de Alice no País das Maravilhas e Marion, esteve em Peixe Grande, ambos filmes do Tim Burton. 

26. "Fire Rises", frase divulgada antes da primeira imagem oficial do filme e dita pelo Bane nos primeiros minutos do filme, também é o nome do capítulo 23 de "Conto de Duas Cidades" (A Tale of Two Cities) livro de Charles Dickens, que segundo Nolan, é uma das influências na história do filme. 

27. A escolha do Bane para vilão desse filme, segundo Nolan, é por representar um desafio extremamente físico para o Batman, coisa que ainda não havia ocorrido nos dois filmes anteriores. 

28. Enquanto Chicago "foi" Gotham em Batman Begins e Cavaleiro das Trevas, nesse filme, Pittsburgh, Los Angeles e Nova York foram algumas das cidades que serviram de cenário para Gotham. 

29. Nas gravações em Pittsburgh, a dublê da Anne Hathaway derrubou uma das câmeras IMAX utilizadas na cena. Nas gravações de Cavaleiro das Trevas, uma outra câmera desse tipo foi destruída durante a gravação de uma cena de perseguição.

30. Durante as filmagens na Escócia, um dos paraquedistas que participavam caiu em cima de um telhado ao perder o controle do paraquedas

31. Tem cenas rodadas em Nova York, cidade declaradamente usada como inspiração para Gotham. 

32. As cenas em Wall Street tiveram cerca de mil figurantes.

33. Nas filmagens de Nova York, haviam alguns cartazes contrários à grandes corporações, irregularidades e frases como "Dinheiro torna você feio".
Ainda haviam imagens cartazes de uma exposição sobre a Guerra Civil com data de 2014. Alfred cita no Batman Begins que os antepassados de Bruce ajudavam escravos libertos a escaparem durante esse mesmo período. 

34. Um figurante morreu de parada cardíaca durante as filmagens em Nova York. 

35. Tem cenas que se passam no inverno, mas que foram rodadas no verão, com uso de neve artificial.

36. Intencionais ou não, as cenas do estádio de futebol americano no segundo trailer do filme têm duas referências ao Robin. A primeira, é o "R" de "Rogues" que aparece no começo do trailer escrito com fonte semelhante ao nome do personagem nos quadrinhos. A segunda, é o jogador do Pittsburgh Steelers, Hines Ward, que aparece no trailer e tem o mesmo sobrenome de Burt Ward, intérprete do menino prodígio na série dos anos 60.

37. Os jogadores do Gotham Rogues são na verdade do Pittsburgh Steelers e as cores do time de Gotham são as mesmas do Steelers, amarelo e preto.

38. A cena da explosão do estádio teve cerca de 10 mil figurantes, a imensa maioria por simples e espontânea vontade de participar do filme.

39. No segundo trailer, o jogador do time adversário do Gotham Rogues que aparece é o prefeito de Pittsburgh, Luke Ravenstahl.

40. As duas palavras da letra do cântico são "Deshi Basara". Pelo que é dito no trailer, significa "ascensão" em alguma língua ou dialeto não identificado.

41. Bane é mais velho que a idade que aparenta ter.

42. Tom Hardy já era a primeira opção de Nolan para interpretar o Bane desde as filmagens de A Origem.

43. Em 2008, Tom Hardy protagonizou "Bronson", filme em que vive um prisioneiro que passa 30 anos em uma solitária, algo muito semelhante ao que ocorre com Bane nos quadrinhos, que é condenado à solitária ainda criança, onde vive até se tornar um adulto. Além disso, a força física e cabeça raspada são outras caracterísitcas em comum dos personagens.

44. Bane é o vilão do Batman mais "novo" a ganhar versões cinematográficas. Criado em 93, a primeira versão cinematográfica foi feita em Batman e Robin, de 97.

45. Tom Hardy aceitou o papel sem nem ler o roteiro.

46. Apesar da óbvia semelhança entre Bane e o personagem de Tom Hardy em Bronson, Nolan disse que nunca tinha visto o filme antes de escolher Tom Hardy para esse filme.

47. A primeira imagem oficial de Tom Hardy como Bane foi divulgada exatamente quatro anos depois da divulgação da primeira imagem de Heath Ledger como o Coringa.

48. Bane utiliza máscara com um inalador com uma droga, que o impede de sentir dor extrema, além de ter uma cicatriz na parte de trás do pescoço. Nos quadrinhos, o personagem também faz uso de uma droga chamada Veneno, que é levada diretamente à parte de trás da cabeça de Bane por um tubo.

49. Enquanto Batman utiliza na armadura recursos mais modernos possíveis, o figurino do Bane é justamente ao contrário, sendo mais simples, com referências militares, mais "brutas", meio que refletindo os lugares por onde ele passou. Lindy Hemming, figurinista do filme, cita vestuários do período da Revolução Francesa e da Segunda Guerra como referências.

50. A máscara do Bane foi desenhada para ser animalesca e moldada a partir de um mapeamento do rosto e do crânio do Tom Hardy.

51. Parte do figurino do Bane foi inspirado por algumas ideias de membros da Liga das Sombras para o Batman Begins.

52. Em Cavaleiro das Trevas, ao comentar a eficiência da nova armadura, Lucius Fox diz que ela "deve funcionar contra gatos". A Mulher Gato é uma das personagens de Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge.

53. Em entrevista à Empire, Nolan disse que, à princípio, estava muito receoso de incluir a Mulher Gato no filme, por ser uma personagem importante do universo do Batman. Foi "convencido" pelo irmão, Jonathan, que conseguiu encontrar um meio de introduzir a personagem dentro da ambientação dos dois filmes.

54. Anne Hathaway disse ter inspirado sua atuação na atriz Hedy Lamarr, inspiração original do Bob Kane para a criação da Mulher Gato.

55. Julie Newmar, primeira atriz a interpretar a Mulher Gato na série dos anos 60, "aprovou" a escolha de Anne Hathaway como Mulher Gato: "Eu adoro Anne Hathaway. Antes de tudo, ela é tão linda, e há algo tão doce nela, e sei que ela tem todas essas e outras habilidades. Acho que ela será esplêndida.“. Michelle Pfeiffer, de Batman - O Retorno, também: ”Eu acho que Anne será incrível. Ela equilibra um lado sombrio e a comédia. Ela será ótima!"

56. Anne Hathaway achou que, à princípio, a personagem para qual faria o teste era a Arlequina.

57. No segundo trailer, Bruce Wayne e Selina Kyle dançam num baile de máscaras, assim como acontece em Batman - O Retorno. A primeira aparição da Mulher Gato nos quadrinhos também acontece em uma festa desse tipo.

58. O uniforme da Mulher Gato parece ter elementos de várias encarnações anteriores da personagem. A primeira, da série de TV dos anos 60, preta e sem capuz e a segunda, dos quadrinhos nos anos 1990, do desenhista Jim Balent, com luvas compridas e bota com cano acima do joelho, além de parecer ser tão prática quanto a versão feita por Darwyn Cooke, no começo dos anos 2000.

59. A roupa da Mulher Gato é formada por duas peças que são "unidas" pelo cinto de utilidades dela, dando a impressão de que é uma só.

60. A bota do figurino da Mulher Gato também é uma arma, já que o salto alto é "serrilhado". O calçado ainda foi feito em três versões, com saltos de tamanhos diferentes para Anne e sua dublê

61. As "orelhinhas" da Mulher Gato são formadas quando os óculos de visão noturna da personagem é posicionado no topo da cabeça.

62. Ao contrário dos quadrinhos, a Mulher Gato aqui não usa elementos bastante conhecidos da personagem como chicote e garras, e carrega uma arma.

63. Selina Kyle usa no baile de máscaras um colar de pérolas muito semelhante ao que Thomas Wayne mostra a Bruce e que Martha Wayne usa quando é morta no assalto em Batman Begins.

64. O figurino de Selina Kyle na cena em que aparentemente ela tenta deixar Gotham e é impedida por John Blake é muito parecido com o de Audrey Hepburn no filme Bonequinha de Luxo. Adam Hughes, desenhista de quadrinhos conhecido pelo trabalho com personagens femininas, sempre desenha a Mulher Gato com traços semelhantes ao da atriz.

65. Apesar de não haver qualquer confirmação sobre a personagem de Juno Temple, a descrição, "uma garota esperta de rua em Gotham" bate com Holly Robinson, personagem dos quadrinhos que vive com Selina Kyle em Batman - Ano Um e é uma das personagens ligadas a Mulher Gato até hoje.

66. Bailes de máscaras são constantes no universo do Batman quando se trata da Mulher Gato. Assim como ocorre um nesse filme e em Batman - O Retorno, na primeira história em que a personagem aparece, ela faz um roubo durante uma festa desse tipo.

67. A julgar pelo trailer e fotos das filmagens, os prisioneiros são soltos por Bane da Prisão Blackgate, que nos quadrinhos, é o local onde ficam os criminosos "sãos" de Gotham. Em A Queda do Morcego, Bane faz algo parecido, libertando os internos do Asilo Arkham.

68. Nesse filme, a Prisão Blackgate tem uma placa dedicatória à Harvey Dent, com data de março de 2010.

69. Apesar de ter sido destruído em Cavaleiro das Trevas, outras versões do Tumbler aparecem nesse filme, ainda que não utilizadas pelo Batman. As novas versões do veículo são camufladas, mesma aparência que o carro que Lucius Fox mostra a Bruce Wayne em Batman Begins.

70. Além do batpod, Batman usa um novo veículo aéreo, chamado de The Bat, desenvolvido por Lucius Fox.

71. Ao contrário do Tumbler ou do batpod, veículos dos dois filmes anteriores que realmente faziam o que aparece nos filmes, The Bat não voa ou plana. Durante as filmagens, a movimentação dele era feita com suspensão por helicópteros, algumas estruturas específicas e em cima de carros.

72. Dez variações de capas foram utilizadas no uniforme do Batman, para diferentes situações, como cenas de luta ou outras que exigissem um efeito mais impactante da mesma.

73. Keysi, método de luta utilizado nos dois filmes anteriores, não foi tão aplicado dessa vez por conta da brutalidade que envolve o Bane, além do período que Batman ficou afastado.

74.  Assim como Bruce Wayne, John Blake também é órfão.

75. Apesar de John Blake ter sido criado exclusivamente para o filme, as pessoas acharam menções ao nome do personagem em HQs do Batman, apesar de, aparentemente, ser uma coincidência. Em uma das menções, Blake é uma criança que é roubada pelo Coringa.

76. Assim como Batman Begins e Cavaleiro das Trevas, Hans Zimmer compõe a trilha sonora do filme dessa vez, sem James Newton Howard.

77. Hans Zimmer pediu para as pessoas gravarem elas mesmas cantando o cântico que aparece no teaser trailer e no trailer e enviarem para seu site para incluir na trilha sonora do filme. Segundo ele, a reprodução de vozes feitas em estúdio não era suficiente para o que ele precisava. Além disso, o compositor viu isso como uma oportunidade dos fãs participarem da produção.

78. Algumas faixas da trilha sonora do filme têm nomes que parecem fazer referência a Batman Begins: "A Storm is Coming", antes de ser uma fala da Selina no trailer, é dita pelo Batman a Gordon em Begins, "Nothing Out There" é uma fala dita no teaser trailer daquele filme e "Why do We Fall?" é a pergunta feita por Thomas Wayne a Bruce e repetida pelo Alfred no Batman Begins.

79. A roupa utilizada por Marion Cottilard na gravação de uma cena em Pittsburgh é muito semelhante a de Ra's Al Ghul (Watanabe) e Ducard (Neeson) em Batman Begins. Entendam como vocês quiserem.

80. Assim como em Batman Begins, no teaser trailer desse filme, Bruce Wayne procura Gordon no hospital usando uma máscara ninja, provavelmente depois de muito tempo "desaparecido".

81. Josh Pence foi escalado para viver uma versão mais jovem de Ra's Al Ghul enquanto Liam Neeson disse em entrevistas que esteve no set do filme por algumas horas, o que indica fortemente o retorno do vilão de Batman Begins nesse filme.

82. Durante uma entrevista, Gary Oldman citou que a criminalidade em Gotham foi reduzida por um Ato chamado Harvey Dent, que, aos olhos da população em geral, continua com a imagem íntegra.
83. Apesar de não ser um dos personagens de Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge, Harvey Dent parece possui bastante relevância não só por ter um ato com o seu nome. Nos "tempos de paz" citados em um dos trailers, ainda são feitas homenagens em sua memória e o próprio Bane parece usar a reputação de Dent no seu plano, provavelmente expondo os crimes cometidos por ele no fim de Cavaleiro das Trevas.

84. Os oito anos de aposentadoria e a debilidade física e psicológica de Bruce Wayne nesse filme se assemelham ao que também acontece com o personagem em Cavaleiro das Trevas, do Frank Miller.

85. O personagem de Matthew Modine se chama Peter Foley, o mesmo de um policial que aparece na HQ Terra de Ninguém.

86. Nos primeiros minutos do filme, a julgar pelo prólogo, Gordon diz "I believed in Harvey Dent", usando uma própria frase, no passado, da campanha do personagem em Cavaleiro das Trevas, que por sua vez, é retirada de O Longo Dia das Bruxas.

87. Em uma das inúmeras fotos das filmagens, há uma cena em que Anne Hathaway luta com um cara para recuperar a maçã de um menino. No começo de Terra de Ninguém, maçãs e outros alimentos simples são comercializados como algo de extremo valor já que, por conta do "isolamento" da cidade do restante do país, essas coisas se tornam raras.

88. Assim como no arco Terra de Ninguém, as pontes de Gotham são explodidas no filme, isolando a cidade do restante do país.

89. No seu último dia de filmagens, Gary Oldman disse ter recebido de Nolan um quadro com objetos do Comissário Gordon: o distintivo, óculos e um bigode utilizado pelos dublês.

90. O segundo trailer de Cavaleiro das Trevas Ressurge foi baixado mais de 12 milhões de vezes pelo iTunes nas 24 horas seguintes ao seu lançamento, batendo o recorde do site.

91. Não há qualquer menção ao Coringa no filme.

92. Ao contrário de Cavaleiro das Trevas, esse filme não teve uma campanha viral tão extensa. Houveram coisas como divulgação de documentos e textos "falsos" que servem de ambientação para o filme, como troca de cartas entre Lucius e Bruce e um jornal com matérias citando atos "comemorativos" para o Harvey Dent Day, diversos furtos a objetos valiosos, e ações da Wayne Enterprises.

93. A Warner realizou uma ação interessante para a divulgação do terceiro trailer do filme. Acostumada a ver os trailers anteriores vazarem antes de serem divulgados oficialmente na internet, o estúdio se antecipou, divulgando frames aos poucos, à medida que as pessoas encontravam o desenho de um morcego feito com giz em vários lugares do mundo. Isso ocorreu inclusive no Brasil.

94. Assim como em um episódio da série animada, Batman & Robin e Cavaleiro das Trevas, o Senador Patrick Leahy faz uma aparição nesse filme.

95. Há um membro da Wayne Enterprises chamado John Dagget, mesmo sobrenome um outro personagem, Roland Dagget, da série animada. Na série, Dagget é dono de uma empresa que fabrica um produto responsável pelo surgimento do Cara de Barro.

96. Durante a Comic Con desse ano, além de projetar batsinais, foram distribídos adesivos do desenho de giz feito em um dos trailers. Segundo eles, para espalhar o símbolo pelo mundo.

97. A Warner também enviou para alguns sites e pessoas conhecidas um mapa de Gotham impresso num tubo, em que a cidade é dividida em várias zonas, à exemplo do que ocorre em Terra de Ninguém. Dentro desse tubo,  veio uma camiseta com uma estampa, que, posteriormente, foi divulgada como um poster exclusivo para as sessões em IMAX:
98. O objeto misterioso visto durante as filmagens é, segundo o livro sobre os bastidores do filme, um reator nuclear.

99. Em diversas entrevistas, Christian Bale disse que, no último dia de filmagens, antes de retirar o uniforme pela última vez, pediu para ficar sozinho e refletir sobre que havia acontecido ao longo dos três filmes.

100. O filme arrecadou US$30 milhões em vendas antecipadas nos EUA e durante todo o primeiro fim de semana, US$160 milhões. Maior abertura da história para um filme 2D.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Christopher Nolan escreve "carta de despedida" para franquia Batman

The Art and Making of The Dark Knight Trilogy, um dos vários livros que saíram junto com Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge, tem uma espécie de "carta de despedida" de Christopher Nolan para a franquia Batman, em que fala dos anos dedicados ao personagem. Reproduzo abaixo:

"Alfred. Gordon. Lucius. Bruce...Wayne. Nomes que vieram a significar tanto para mim. Hoje, faltam três semanas para que eu dê o adeus final a esses personagens e ao seu mundo. É o aniversário de nove anos do meu filho. Ele nasceu quando o Tumbler estava sendo montado na minha garagem a partir de diferentes partes de kits aleatórios. Muito tempo, muitas mudanças. Uma troca de cenários onde uma arma falsa e um helicóptero eram eventos extraordinários para dias de trabalho em que uma multidão de extras, demolições ou caos aéreo se tornaram familiares. 

As pessoas me perguntam se eu sempre planejei uma trilogia. Isso é como perguntar se você planeja crescer, se casar, ter filhos. A resposta é complicada. Quando David e eu começamos a pensar na história de Bruce, flertamos com o que poderia vir depois e nos afastamos, sem querer olhar muito para o futuro. Eu não queria saber tudo o que Bruce não sabia. Eu queria viver com ele. Eu disse a David e Jonah para colocarem tudo o que sabiam em cada filme que fizemos. Todo o elenco e a equipe colocaram tudo o que tinham no primeiro filme. Nada foi contido. Nada foi guardado para a próxima vez. Eles construíram uma cidade inteira. Então Christian, Michael, Gary, Morgan, Liam e Cillian começaram a viver nela. Christian pegou um pedaço da vida de Bruce Wayne e a tornou completamente convincente. Ele nos levou a mente de um ícone pop e nunca nos deixou notar a natureza fantástica dos métodos de Bruce. 

Nunca pensei que faríamos um segundo - quantas sequências boas existem? Por que rolar esses dados? Mas uma vez que sabia onde eu levaria Bruce, e quando comecei a ter ideias sobre o seu antagonista, se tornou essencial. Nós reunimos o time e retornamos para Gotham. A cidade mudou em três anos. Maior. Mais real. Mais moderna. E uma nova força de caos estava surgindo. O palhaço assustador definitivo, aterrorizantemente trazido à vida por Heath. Não guardamos nada, mas existiam coisas que não tínhamos como fazer no primeiro filme - um uniforme que fosse flexível no pescoço, filmar em Imax. E coisas que tínhamos medo de fazer - destruir o batmóvel, queimar o dinheiro do vilão para mostrar um completo descompromisso pelas motivações convencionais. Nós usamos a suposta segurança de uma sequência como uma licença para jogar a cautela de lado e seguir para as esquinas mais sombrias de Gotham. 

Nunca pensei que faríamos um terceiro - existe alguma segunda sequência boa? Mas continuei pensando sobre o fim da jornada de Bruce e, uma vez que David e eu o descobrimos, eu precisava ver por mim mesmo. Nós voltamos para o que nós mal tínhamos coragem de sussurrar naquele começo na minha garagem. Nós estivemos planejando uma trilogia. Eu chamei a todos para mais um tour por Gotham. Quatro anos depois, ainda estava lá. Até parecia um pouco mais limpa, um pouco mais polida. A mansão Wayne fora reconstruída. Rostos familiares retornaram - um pouco mais velhos, um pouco mais sábios...Mas nem tudo era o que parecia. 

Gotham estava apodrecendo nas suas fundações. Um novo mal borbulhando por baixo. Bruce pensou que Batman não era mais necessário, mas Bruce estava errado, assim como eu. Batman precisava voltar. Suponho que ele sempre precisará. 

Michael, Morgan, Gary, Cillian, Liam, Heath, Christian...Bale. Nomes que vieram a significar tanto para mim. Meu tempo em Gotham, procurando por uma das figuras mais duradouras da cultura pop, tem sido uma das mais desafiadoras e recompensadoras experiências que um cineasta pode esperar ter. Eu vou sentir falta de Batman. Gosto de pensar que ele sentiria minha falta, mas ele nunca foi particularmente sentimental."

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Warner divulga bilheteria de estreia de Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Passado o fim de semana, a Warner divulgou a bilheteria oficial de Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge nos EUA. O filme arrecadou US$160.8 milhões de sexta (20) a domingo (22). É a terceira maior abertura da história no país, atrás de Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2 e Vingadores, a maior para um filme em 2D e ligeiramente superior a de Cavaleiro das Trevas, que é US$158 milhões. Pelo mundo, o filme já arrecadou US$249 milhões. A estimativa da Warner era US$170 milhões no território americano, mas provavelmente o que aconteceu em Aurora afugentou parte do público.

O Cavaleiro das Trevas

 "Prefácio" extraordinário:
Por uma dessas coincidências que não conseguimos explicar, há mais de um mês eu havia decidido que o primeiro texto especial que publicaria aqui no blog após a estreia de Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge nos EUA seria sobre O Cavaleiro das Trevas. Eis que ocorre essa tragédia em uma das primeiras sessões do filme e, como todo ato feito por fanático, tenta-se explicar o fato usando elementos que nada tem a ver com o crime. Influência dos filmes, games, quando claramente percebe-se que a discussão deveria ir além disso. Como foi com esse filme, poderia ter sido com qualquer outro. Ainda que o criminoso diga que "é" o Coringa, relacionar o crime com o personagem é um absurdo. Sim, O Cavaleiro das Trevas tem na sua história um atendado feito dentro de um cinema:
Assim como tem um atendado com bomba dentro de um metrô, um ataque do Coringa com a plateia de um programa de TV, entre outras coisas. Mas, mais importante que isso, tem o trecho a seguir:

Tá que o Batman do Frank Miller não é um exemplo de sanidade, mas espero que as pessoas se lembrem que mais que criminosos, o personagem repudia as armas, que voltarão à discussão depois do que houve em Aurora.

É isso. Vamos para o texto:

Um grande espaço de tempo após um acontecimento muito marcante, um personagem que não está no melhor dos seus dias enquanto seu oponente parece estar no auge, o surgimento de novos aliados em meio a um contexto catastrófico. Todos esses elementos parecem estar presentes em Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge, mas também são peças de uma outra história do Batman: no caso, O Cavaleiro das Trevas, do Frank Miller.

Para quem ainda não leu, Cavaleiro das Trevas se passa dez anos após a aposentadoria do Batman. Como é natural, Bruce Wayne envelheceu, não está na sua melhor forma física, começou a beber e vive atormentado pela morte de um dos Robins, no caso, Jason Todd, que anos depois morreu de fato em Morte em Família.

Batman volta à ativa quando Gotham começa a ser tomada por um grupo que se auto denomina Mutantes. Sua volta chama a atenção das autoridades e Superman é "convocado" para intervir na situação. Nesse contexto, ainda surge um novo, ou melhor, nova Robin e vilões, como o Coringa e o Duas Caras, "adormecidos" até então, voltam a agir.
Quando saí do cinema depois de ver Cavaleiro das Trevas, lembro de ter comentado que o desfecho do filme era muito bom se houvesse a intenção de fazer uma versão cinematográfica dessa HQ depois. Não é exatamente o caso, mas existem semelhanças. O líder dos Mutantes não é tão estrategista e direto como o Tom Hardy diz que o Bane é, mas certamente é um oponente fisicamente tão ameaçador quanto.
 Além disso, todas as imagens, das filmagens e do próprio trailer sugerem o confronto direto de cidadãos que também existe na HQ. Além disso, o início de Cavaleiro das Trevas mostra que Gotham não está no pior de seus dias e ao longo da história tenta "camuflar" certos detalhes, a exemplo dos "tempos de paz" que precedem a "tempestade" que está chegando no filme.
Outro elemento é a aparição da Carrie Kelley, a Robin em questão, que poderia corresponder, com as devidas proporções, à Mulher Gato, já que em dado momento ela parece ajudar o Batman, e em alguma medida, o John Blake. Além disso, por conta da faixa etária dos dois, é plausível que, no caso do hiato de oito anos, os dois tenham visto as ações do Batman e absorvido aquilo de algum modo.
Ah, isso tudo sem contar com os dois policiais que aparecem no vídeo exibido no MTV Movie Awards, que praticamente reproduzem o trecho da HQ em que Batman volta à ativa depois de vários anos.
Se Batman Begins tem vários elementos de Batman - Ano Um, história do Frank Miller que conta os primeiros do Batman em ação, é bem plausível que para fechar a trilogia se recorresse à história que ele também escreveu contando o "fim" do personagem (tenha em mente que Cavaleiro das Trevas 2 não existe). Agora, caberia o mesmo desfecho, uma falsa morte e o começo de uma nova maneira de seguir com o legado do personagem? É bem possível.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Mulher Gato em outras midias


Televisão:
Talvez uma das versões mais célebres e influentes da Mulher Gato foi a feita pela Julie Newmar na série dos anos 60, a primeira das três atrizes que viveram a personagem. Primeiro, pelo contexto da época: essa versão da personagem é contemporânea ao retorno da Mulher Gato aos quadrinhos, depois de vários anos sumida por causa do Comic Code Authority. O primeiro episódio com a personagem, "The Purr-fect Crime", foi ao ar pela primeira vez em março de 1966, antes do retorno da personagem aos quadrinhos:
Alguns elementos trazidos pela Julie Newmar na série, como o bom humor da personagem, a maneira de falar e, algo que já existia mas fica acentuado na série, a eterna "briga de gato e rato" com o Batman, acabaram incorporados em todas as versões. A roupa utilizada na série em si, serviu de modelo para a que reaparece nas HQs depois dos vários anos que passou sumida e em alguma medida, é utilizada até hoje na personagem.
Um fator interessante da Mulher Gato na série de TV é que nunca há uma referência à Selina Kyle, além de coisas impagáveis, como os ajudantes vestidos a caráter, a "decoração" do QG dela, Batman e Mulher Gato dividindo um milkshake num restaurante, o fato dela ter uma ajudante chamada Pussycat em um dos episódios e de, toda vez que menciona a possibilidade de trabalhar junto com Batman, ele questiona como Robin ficaria nessa situação, e ela dá a mínima para o menino prodígio. :)

Além da Julie Newmar, outras duas atrizes foram a Mulher Gato na série, Lee Meriwether, no filme Batman - O Homem Morcego, com o mesmo elenco da série (ela também participou do seriado, mas não como Mulher Gato) e mais para o final da série, Eartha Kitt.

Ainda em séries televisivas, há a rápida aparição da personagem em Mulher Gato: A filha do Batman Birds of Prey, ja que na série, a Caçadora, assim como na Terra-2 dos quadrinhos, é filha da Mulher Gato com o Batman. A aparência dela é a imagem e semelhança da Michelle Pfeiffer em Batman - O Retorno.
 
Séries animadas:

Na séries de The New Adventures of Batman and Robin, criada nos anos 1970 e inspirada na série do Adam West e Burt Ward, a Mulher Gato era muito diferente de qualquer coisa já feita sobre a personagem. Ela ainda apareceu no Superamigos, na mesma época, também com outro visual:

Na série animada dos anos 90, a Mulher Gato aparece em vários episódios. Com a aparência muito influenciada pela Michelle Pfeiffer em Batman - O Retorno, Selina Kyle aqui é loira e uma socialite defensora dos animais, principalmente os felinos. O uniforme nessa versão é cinza e em vários dos roubos ela leva como ajudante sua gata, Ísis. Entre as várias situações da série, Selina chega a ser presa e “desistir” da Mulher Gato, se torna uma mulher gato em outro e em um episódio que se passa num sonho de Bruce Wayne, está noiva dele.

Na quarta temporada do desenho, à exemplo de vários outros personagens, a aparência da Mulher Gato muda. Dessa vez, ela é morena, com os cabelos curtos e o uniforme é preto, além da pele ser muito, mas muito pálida.
Além dos episódios, essa versão da Mulher Gato, junto com o Batman, protagoniza um curta chamado Chase Me. Sem falas e com uma das inúmeras perseguições de Batman e Mulher Gato, uma bela síntese de como funciona a relação dos dois ao longo dos anos:

Depois da série animada, essa versão da personagem ainda aparece em Gotham Girls, uma série animada feita para a internet protagonizada por várias personagens femininas do universo do Batman, como Hera Venenosa, Arlequina, Zatanna e Reneé Montoya:

Nos anos seguintes, ela ainda apareceu na série The Batman, com um uniforme completamente diferente de tudo que já foi usado pela personagem.
Em Batman: Bravos e Destemidos, onde, assim como o restante dos personagens da série, tem o visual inspirado nas versões antigas dos personagens. No caso dela, o vestido roxo e verde da Era de Ouro. Em um dos episódios, ela aparece com uma outra versão antiga, com uma máscara vermelha:

Aliás, essa série ainda tem um número musical da Mulher Gato com a Caçadora e a Canário Negro, com Bruce Wayne Fósforos Malone na plateia.

Na versão animada de Batman: Ano Um, como não poderia deixar de ser, a personagem aparece, além de protagonizar um curta que vem junto com o filme:


Cinema:

Eis que em 1992, a personagem ganha uma nova versão, talvez a mais lembrada pelo público geral até hoje: Em Batman - O Retorno, a Mulher Gato “concebida” por Tim Burton e vivida por Michelle Pfeiffer. Nessa versão, Selina Kyle é secretária de Mark Schreck (Christopher Walken). Desastrada, com nenhuma autoconfiança e morando num apartamento que poderia ser uma casa de boneca, é jogada pela janela por Schreck após vê-la mexendo em documentos supostamente secretos. Selina sobrevive a queda após ser “ressucitada” por gatos. Ela desperta se comportando de maneira completamente oposta a de antes e cria a sua roupa a partir de uma jaqueta.


À exemplo do que ocorre nos quadrinhos, Selina rouba alguns objetos, além de explodir prédios e em certa medida colocar à prova a paciência e concentração e sentimentos do Batman, questiona o papel "social" de algumas pessoas que cruzam com ela na história, como os policiais e a mulher que salva, além de estar diretamente ligada a outros personagens do filme, como o Pinguim e o próprio Mark Schreck. E, claro, o comportamento dela é extremo, bem representado por coisas como botar um passarinho vivo na boca ou beijar o Batman com a língua. Tais elementos são condizentes com a atmosfera do filme e coisas assim são comuns em outros filmes do Tim Burton. Não que isso seja ruim, mas é uma linha existente no filme e que funciona perfeitamente dentro dele.
Um outro elemento interessante que a Mulher Gato acaba levantando no filme é a ideia de independência e a não-submissão feminina em relação aos homens. Além disso, toda a ambientação “fantástica” presente, como a própria arquitetura de Gotham, os elementos circenses, além do fato de se passar no Natal, época que em tese as pessoas estão mais propícias a se envolverem por coisas que fogem à sua realidade de todos os dias, contribuem para os personagens “desajustados” do filme, inclusive a própria Mulher Gato, que se recusa a “viver num castelo” com Bruce Wayne por não conseguir lidar consigo mesma nessa situação. Isso fica explícito, não só no final do filme, mas quando Bruce e Selina se dão conta das suas identidades no baile de máscaras.
A relevância dessa versão é tão grande que influenciou diretamente outras versões da personagem nos anos seguintes, como na série animada e na pequena aparição da personagem em Birds of Prey, além de ser, ainda hoje, a imagem geral da personagem para o grande público. Além disso, o sucesso da Mulher Gato nesse filme também influenciou no lançamento da revista solo dela, nos anos 90, que existe até hoje. O único efeito colateral do sucesso foi o lançamento de Mulher Gato, aquele da Halle Berry, doze anos depois.
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